Capítulo 02 de 05 · O Bobo · Trabalho e ambição

O Bobo no trabalho: carreira, criatividade e humor

Todo mundo quer o Bobo na reunião. Ninguém entrega a ele o lançamento.

8 leitura mínimaAtualizado em Arquétipo · O BoboSombra · O Sabotador
O Bobo na vida · 5 capítulos

O Bobo rende mais em ambientes que não se levam tão a sério. Isso não é um padrão baixo. As empresas que se levam a sério demais costumam ser justamente as que mais precisam do que o Bobo tem a oferecer: a ideia de fora da caixa, o respiro, a pergunta que ninguém tinha coragem de fazer.

01O padrão

Como isso acontece

01 Estilo de trabalho No trabalho, o Bobo é gerador, cheio de energia e excelente em achar o ângulo em que ninguém pensou. Tem um dom especial para ver o que é absurdo no jeito atual de fazer as coisas, o que o torna valioso em qualquer ambiente aberto a ouvir isso. Costuma ser quem destrava uma reunião emperrada com uma pergunta de lado ou uma mudança de enquadramento que muda o clima da sala inteira. Funciona melhor em rajadas curtas e intensas do que em esforço contínuo e repetitivo. E é péssimo em tarefas que exigem fazer sempre a mesma coisa do mesmo jeito, como preencher a mesma planilha todo mês.
02 Ambientes que combinam Humor e entretenimento, publicidade criativa, design de jogos, qualquer ambiente de improviso, áreas de inovação dentro de empresas grandes, redes sociais e criação de conteúdo, produção de eventos, storytelling de marca e funções em que tornar algo envolvente é a medida real de sucesso. O Bobo também vai surpreendentemente bem em situações de alta pressão, em que a leveza evita que o pânico tome conta, como eventos ao vivo ou comunicação de crise. O que ele não aguenta por muito tempo: ambientes burocráticos em que as regras existem para proteger as próprias regras, ou trabalhos em que seriedade é confundida com qualidade.
03 Armadilhas na carreira O Bobo pode ser descartado como alguém pouco sério, mesmo quando suas observações são exatamente o que a situação pede. Pode usar o humor para escapar das conversas difíceis que a carreira exige, como pedir aumento, dar um feedback ou assumir um erro. Costuma ser ótimo na fase criativa de um projeto e pouco confiável na fase de entrega. E a sombra do Sabotador, no trabalho, é o Bobo que passou a usar o humor e a irreverência para destruir em vez de criar: minar colegas, descarrilar projetos com um caos bem cronometrado ou simplesmente piorar o ambiente para todos porque assim fica mais interessante.
Eu deixo as coisas mais leves. Isso é uma habilidade. É também aquilo atrás do qual me escondo quando tudo parece pesado demais.
02Na prática

O que o Bobo traz para uma equipe

→ Energia criativa que gera opções onde os outros só veem beco sem saída
→ A capacidade de quebrar a tensão da sala sem fugir do problema de fundo
→ Abordagens novas para problemas que o pensamento convencional deixa passar
→ Um jeito de tornar o trabalho difícil mais suportável para todo mundo
→ Raciocínio rápido, que rende mais justamente na incerteza
→ O olhar de fora do quadro: ele enxerga o que quem está dentro não vê
→ Um entusiasmo genuíno pelo que é possível, que contagia quando o trabalho precisa
→ Facilidade para criar vínculo entre pessoas de áreas e hierarquias diferentes
03Os dois lados
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O que você traz

→ Opções onde todo mundo só via um beco sem saída
→ Tensão aliviada sem o problema ser evitado
→ O ângulo em que ninguém mais pensou
→ Trabalho difícil que fica suportável para o time inteiro
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O que custa a você

→ Ser descartado como pouco sério quando a ideia estava certa
→ Um plano largado na semana em que começou a parte chata
→ Uma piada que derrubou a ideia de um colega, e uma pontinha de vitória
→ O projeto grande indo para alguém menos brilhante e mais constante
04Combinações

Com quem o Bobo trabalha melhor

05O que ajuda

O que realmente muda isso

→ Acrescente a frase séria depois da piada Mantenha a piada e diga o que você faria de fato. O Bobo costuma parar na risada; a frase seguinte é a contribuição, e uma por reunião muda o que a sala pensa que você veio fazer ali.
→ Leve um plano até o fim da parte chata Escolha um projeto e fique com ele depois da semana em que deixa de ser divertido, com esforço comum, até o final. Entregar algo à vista de todos é a única coisa que muda a reputação.
→ Ache o ângulo útil antes do absurdo Quando um colega propuser algo, diga uma coisa que faria aquilo funcionar antes de dizer o que é engraçado. Se o engraçado vem depois, é piada. Se vem antes, soa como veredito.
→ Peça o trabalho sério em voz alta Diga ao seu gestor que você quer o projeto que precisa dar certo, e por quê. O Bobo nunca pediu, porque pedir é um compromisso, e é no pedido que o padrão começa a quebrar.

Nada disso pede que o Bobo deixe de ser engraçado no trabalho. Pede que ele esteja na sala depois da risada, que é onde o crédito e os projetos são distribuídos.

06Quando a sombra assume o controle

O Sabotador no trabalho

Quando o Sabotador assume, o humor passa a ser recebido como crueldade. A proposta séria de um colega ganha o ângulo absurdo e morre na gargalhada, um plano que estava funcionando é desviado por uma ideia melhor que ninguém executa, e a reunião fica entretida em vez de motivada. Os colegas começam a administrar a presença do Bobo em vez de recebê-lo bem, e o Sabotador sente uma satisfação que não consegue justificar. Quem antes tornava o trabalho difícil suportável vira quem torna impossível terminar qualquer coisa.

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07Perguntas

Perguntas frequentes

Quais carreiras combinam com o arquétipo do Bobo?

Trabalhos que valorizam o raciocínio rápido e não se levam a sério demais: publicidade criativa, entretenimento e comédia, design de jogos, funções de inovação, facilitação e tudo o que envolve improviso. O ponto em comum é um ambiente que quer o ângulo que ninguém viu e tem alguém para construí-lo.

Por que o Bobo é deixado de lado em cargos sérios?

Porque o Bobo já mostrou ao time o que acontece quando as coisas pesam: uma piada, e o peso some. Os gestores gostam do Bobo e não confiam nele para o que precisa dar certo. A reputação só muda quando um projeto sério é concluído à vista de todos.

O Bobo é um bom gestor?

É um gestor querido, em um time que precisa de ânimo e ideias. O Bobo alivia a tensão, gera opções e torna o trabalho suportável. A fraqueza está no acompanhamento até o fim e nos momentos que exigem seriedade. Os melhores gestores Bobo se juntam a alguém constante e ficam no minuto depois da risada.

Como o Bobo pode ser levado mais a sério no trabalho?

Entregando algo grande do começo ao fim, dizendo a frase séria depois da piada e pedindo em voz alta o projeto importante. A reputação de pouco sério não muda com discurso; muda com um trabalho concluído que as pessoas possam apontar.

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